26 maio 2004

texto do Millor Fernandes (segundo me disseram)

Recebi este texto hoje e achei perfeito, principalmente o primeiro parágrafo. Eu nunca falo "foda-se", então imaginem o nível de estresse em que estou. Algumas empresas dão liberdade aos seus funcionários de utilizar este tipo de linguagem mas aqui se eu falar algo parecido, sou mandada embora na hora e nunca mais consigo emprego em empresa nenhuma do Rio de Janeiro. Acreditem, conheço alguém nesta situação.
Meu marido trabalha em uma empresa onde todo mundo usa essas palavras numa boa. No começo, quando eu ouvia ele falando assim ao telefone, pensava : "Nossa, coitado desse cara que está do outro lado da linha" e perguntava "Isso é maneira de falar com colegas de trabalho?". Mas com o tempo percebi que não era só ele que falava, todos falam assim (chefes para os subordinados e subordinados para os chefes) e no final acaba tudo dando certo. E apesar de eles trabalharem muito não ficam estressados porque gostam do que fazem e porque se sentem bem em seu ambiente de trabalho.
Segundo a pessoa que me mandou, o texto é do Millor Fernandes. Mas como todos sabem, na internet se atribuem muitos textos a quem Não tem nada a ver com a história, então esta é uma informação da qual não tenho certeza.

"Foda-se"

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de "foda-se!" que ela fala.

Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo ? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".

O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente vá¡lidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuinos sentimentos.

É o povo fazendo sua lingua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. "Prá caralho", por exemplo.

Qual expressío traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Prá caralho" ? "Prá caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas prá caralho, o Sol é quente prá caralho, o universo é antigo prá caralho, eu gosto de cerveja prá caralho,
entende? No gênero do "Prá caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!".

O "Não, Não e Não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente Não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e
liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranquila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral?

Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicinio. Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situaçoes onde nosso ego exigia Não só a definição de uma negação, mas também o justo escarnio contra descarados blefes, que hoje é
totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional.

Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um PHD "porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!".O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça. E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cú!"? E sua maravilhosa e reforí§adora derivação "vai tomar no olho do seu cú!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cú!".

Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai a rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios. E seria tremendamente injusto Não registrar aqui a expressío de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!".

E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de
polícia atrás de você mandando você parar: O que voce fala? "Fodeu de vez!"

Liberdade, igualdade, fraternidade e "foda-se!!!"

10 comentários:

  1. Este texto NÃO É do Millor.
    Por favor não dissemine desinformação e faça as devidas correções.
    abç

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  2. Djegovsky, você não sabe ler não?
    Favor ler direito um post antes de comentar bobagens.

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  3. rsrs...amiguinha, por incrível que pareça, eu sei ler sim. Por isso mesmo que achei surpreendente sua incoerência ao afirmar não ter certeza da autoria e mesmo assim colocar indevidamente o nome do Millor.

    Dizem que o texto é de Pedro ivo Resende, mas não tenho certeza absoluta disso. Mas o que tenho certeza é de que NÃO É do Millor. Ele próprio já se manifestou a respeito negando a autoria.

    um abraço pra você também

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  4. Ao que parece, esse texto é uma adaptação da cena " Palavrões" da peça de teatro "Nós na Fita"

    http://www.youtube.com/watch?v=VAe1eiMDGzM

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  5. Ronan dos Anjos12/9/11 9:33 AM

    Djegovsky porra nenhuma! vai tomar no olho do seu cu! Cara chato do caralho! A frase que você usou, "Eu acho que esse texto é de fulano..." Foi a idêntica frase usada pela autora do post "Eu acho que esse texto é do Millor" E você é tão animal que ainda afirma ser conhecedor de tudo o que tá rolando... afff... o pior é que eu convivo com uma pessoa que possui essa síndrome de chatice, ranço de implicância que nos deixa na dúvida de qual tipo específico de problema que você sofre.

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  6. Bom, o que eu posso falar quando o povo ESCOLHE ser ignorante e ainda se regozija por tomar essa atitude?
    Nao da nem pra ter pena de gente assim...
    abracos

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  7. Aff! O blog é meu e à partir de agora este post não terá mais comentários. Pronto!

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