27 novembro 2007

Museu Eva Peron

Eva Perón, assim como o Peronismo, é muito polêmica. Esta dualidade está representada logo na entrada do museu, por um armário metade branco e metade preto. Do lado branco, está representado o lado doce, amável e até santo de Evita. Do lado negro está representado o lado tirano e autoritário. As opiniões sobre ela são totalmente extremas: ou a amam ou a odeiam.
A visita que eu fiz a este museu foi muito teórica. Fiz um post que ficou enorme e no final decidi não postá-lo para que vocês não durmam em frente ao computador. :-)))
Enfim, vou falar de apenas alguns detalhes que me chamaram mais a atenção e quem quiser saber mais pode visitar o Wikipedia.
Quando criança, Evita tinha uma vida bastante razoável pois seu pai era bem rico. O problema é que ele tinha duas mulheres e a mãe de Evita não era a "oficial". Daí, quando ele morreu, sua mãe, ela e seus irmão ficaram na maior pindaíba. Sua mãe trabalhava dia e noite em frente à uma máquina de costuras para sustentar a família. Dizem que os ideiais dela vieram daí...
Aos 15 anos, ela decidiu se mudar sozinha para Buenos Aires e ser atriz. Ela conseguiu uma carreira bem exitosa e, obviamente, uma tremenda fama de prostituta. Eu acredito que não era verdade já que naquela época existia muito preconceito: imaginem uma menina de 15 anos, sozinha em uma cidade e ainda atriz no ano de 1924?
Anos depois, ela conheceu Perón, ele foi preso. Ela conseguiu reunir a classe operária da época, que se simpatizava com Perón, para ir à Praça de Maio pedir por sua liberdade, deixando toda as pessoas ricas da época, que viviam naquela área, chocadas. Foi a primeira manifestação lá... e olha que depois vieram muuuitas outras. Tem quase todos os dias! :-) Na verdade, existem divergências nesta parte da história. Alguns historiadores dizem que nesta época Evita ainda não tinha tanta influência para conseguir algo assim tão grande. Faz sentido...
Perón foi libertado (sim, graças à manifestação!) e ele e Evita se casaram. Perón se candidatou à presidência e, obviamente, ganhou. Uma curiosidade aqui é que, na foto presidencial, Evita está sentada na cadeira presidencial e Perón em pé, ao seu lado. Foi a primeira vez em que uma mulher se sentou na cadeira presidencial e dizem que aqui Perón enviava uma mensagem dizendo que Evita teria muito poder em suas mãos. Sinceramente: acho que ele não sabia o que viria pela frente e a foto não passa de mera concidência.
Começou, então, um governo que divide opiniões. Os mais velhos, pobres na época, os defendem com unhas e dentes. Os que eram ricos e os que têm um pouco mais de conhecimento político, acham que foi um governo totalmente ditador e assistencialista. Foi aí que a classe trabalhadora obteve seus direitos, as mulheres receberam a cidadania e o direito a voto, foi estabelecida uma igualdade de direitos entre homens e mulheres, o índice de analfabetismo foi a praticamente zero e muitas outras coisas. É claro, que em troca eles obtiveram muito poder. Sempre perto do povo, ouvindo suas queixas, os ajudando e fazendo uma super lavagem cerebral nas escolas com livros e brinquedos sempre falando de como Evita era a mãe dos argentinos e que sempre os iria proteger. Uma coisa absurda e descarada mesmo! No museu podemos ver vários livros da época e também vários brinquedos sempre com símbolos representando o casal. Meu objetivo aqui não é debater tema tão polêmico, até mesmo porque eu não entendo tanto assim de política... então, vamos em frente.
Em 1951, com a constituição alterada para permitir às mulheres votar e participar da política do país e para permitir a reeleição de Perón, Evita se lança candidata como vice-presidente, ao seu lado. Para as classes trabalhadoras isso significava um fortalecimento gigantesco do setor sindical. Em meio a tudo isso, Evita descobriu que tinha câncer e que não era possível tratá-lo. Por isso, teve que renunciar à sua candidatura, mas não podia dizer o porquê. Então uma multidão foi à esquina da 9 de Julio com a Belgrano para pedir a Evita que saísse candidata e disseram que não sairiam de lá enquanto ela não o fizesse. Perón lhes disse que o cargo não era importante para Evita pois seu papel era muito maior, mas ninguém quis saber. Evita pediu chorando quatro dias para pensar e o povo disse que não. Então ela pediu duas horas e depois disse: "Yo siempre haré lo que diga el Pueblo." A multidão entendeu que ela tinha mudado de idéia e foi embora, mas nove dias depois ela renunciou novamente por meio das rádios.  No museu, se pode ouvir seu discurso de renúncia. Mesmo não sendo peronista, é difícil não se emocionar com sua voz triste e chorosa. No dia 26 de Julho de 1952, às 20:25h, ela faleceu aos 33 anos de idade. Seu velório durou 14 dias e depois seu corpo foi embalssamado e colocado em exposição no Comando Geral dos Trabalhadores até o golpe militar que derrubou Perón em 1955, quando o corpo de Evita foi seqüestrado e ficou desaparecido por 14 anos. O corpo havia sido sepultado clandestinamente na Itália, sob o nome María Maggi de Magistris. Quando reapareceu, o corpo de Evita estava muito destruído, cortado, com partes arrancadas e dizem que ele foi até manuseado sexualmente pelo coronel Carlos de Moori Koenig, comandante do grupo que seqüestrou o corpo. Um doente!
Em 1971, o General Lanusse finalmente devolveu o corpo a Perón, em Madrid, mas só em 1974, quando Perón já havia falecido, foi que o corpo pôde voltar a Buenos Aires e, em 1976, ele foi finalmente enterrado no cemitério da Recoleta.
Desculpem, resumi o máximo que pude. :-))))

Endereço:
Lafinur 2988 - Palermo
Perto do Jardim Botânico e do Zoológico. A estação de metrô mais próxima é a Plaza Itália.

3 comentários:

  1. Ela foi um marco na historia da Argentina.
    Big Beijos

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  2. A história dela é bem interessante.

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  3. Interessante mesmo.

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