21 junho 2011

Mudanças após o início da escola


Oi, gente! Fiquei feliz com a participação no post anterior. Algumas mamães que passam por aqui sempre caladinhas resolveram participar para me ajudar e eu agradeço muito.
A Ione disse que leu que não devemos forçar a criança a falar uma língua. Eu sempre li o contrário. Não forçar, com violência, claro. Mas tipo fingir que não entende, para fazer com que, com você, ela fale o seu idioma. Senão depois ela vai até entender o que você fala, mas não vai falar. Isso é o que mais acontece e o que mais vemos.Como disseram a Micha, a Rose e a Lola, devemos falar o nosso idioma com as nossas crianças desde cedo sim, disso eu não tenho dúvida. A minha dúvida era se agora no início, que eu quero que ela aprenda o inglês, eu deveria pegar mais leve, para evitar atrapalhar o aprendizado, mas cheguei à conclusão que não. É melhor ela saber desde o início que comigo e com o pai, ela deve falar português. A experiência me diz que, sempre que começamos uma coisa errada, depois para consertar é muito pior. Então é melhor começar do jeito que tem que ser.Voltando ao assunto da adaptação, a quinta e a sexta foram “menos piores”, digamos assim. Ela chorou menos. Eu pensei que depois de uma semana na escola, ela estaria falando muito mais inglês e que eu já estaria tendo problemas com o português, mas aconteceu o contrário. Agora ela não fala nem um, nem outro, só fica chorando e gritando. Ela regrediu muito, parece um bebê novamente. Na escola, nos disseram que não precisávamos nos preocupar que ela não fosse conseguir se comunicar com eles porque eles usam os gestos para se comunicar com as crianças porque nesta fase elas ainda não falam tudo e ainda mais lá, que tem criança de todas as nacionalidades, eles teriam muita dificuldade. Mas agora eu acho que isso não é bom… a Júlia agora só chora ou grita e fica apontando para as coisas. Talvez fosse melhor ensinar logo como pedir em inglês as coisas…Outra mudança que notei é que ela está muito agressiva, principalmente comigo. Me bate e me chuta o tempo todo e no sábado ela fechou o punho e levou o braço lá para trás, pra me dar um soco no rosto. Eu fiquei muito surpresa com isso, nunca esperei que ela fosse fazer algo parecido. Fiquei preocupada também, pois como ela aprendeu isso? Certamente ela viu em algum lugar e não foi aqui com a gente. O fim de semana foi um pesadelo! Ela só chorou e gritou o tempo todo e não nos obedecia em nada. Tudo que tínhamos que fazer (escovar os dentes, vestir roupa, tomar banho…) levava horas! No domingo à noite o pai reclamou que não aguentava mais ouvir gritos. E nesta noite ela acordou de madrugada chorando que algo estava doendo. Eu fiquei preocupada e não a mandei para a escola na segunda e acabou que nem era nada. Ela tinha caído no parquinho e ralado o joelho. Estava feio, roxinho, e provavelmente devia estar doendo um pouco sim, mas nada que a impedisse de ir para a escola. E eis que a minha segunda-feira foi terrível. Fiquei o dia inteiro aguentando o mal humor dela e os gritos e choros, e as birras. No final do dia eu estava esgotada e com a cabeça desesperada, pedindo por uns minutinhos de silêncio para descansar.
Hoje ela foi para a escola, mas já começou a reclamar na hora de entrar no carro. Nós já esperávamos que depois do fim de semana ela fosse voltar a dar trabalho para ficar na escola, então não foi surpresa. Mas ela ficou lá chorando e gritando. Parte o coração, mas sinceramente… acho que nós duas precisamos de um tempo longe uma da outra. À tarde ela vai chegar com muita saudade e o nosso tempo juntas vai ser muito melhor aproveitado, sem ela chorando e gritando o tempo todo. Pelo menos, assim espero…


3 comentários:

  1. Nossa, Chris, eu sinto com você. Temos dias assim também, a Sofia fica insuportável, choramingando por tudo, dando berros, jogando as coisas no chão. Eu sei que é exatamente nesses momentos que elas mais precisam da gente, mas nós tb somos humanos e temos limites, né? Na segunda-feira foi assim e eu me lembro de ter pensado "ainda bem que amanhã tem escolinha", mesmo sabendo que ela chora horrores quando vai pra lá. Mas imagina a cena: eu tinha combinado com ela que NÃO ia comprar picolé, ela já tinha ganhado um chocolate. Ela concordou e tudo, mas na hora que eu tava no caixa, gente atrás de mim e na minha frente, ela pega um picolé e vai embora do supermercado! E eu gritando pra ela voltar, sem poder sair do caixa, um horror. Deixei tudo lá, inclusive a minha carteira, saí correndo, peguei ela, devolvi o picolé e voltei pro caixa, com ela aos berros. E isso com uma plateia adorando o espetáculo. Não dá pra não ficar com raiva, né?
    Sobre o fato de não forçar a falar um idioma, gostei de saber que vc leu o contrário! Eu me interesso muito pelo assunto e procurei ler tudo o que achei a respeito, mas aqui a opinião geral, inclusive de uma palestra sobre o assunto a que eu assisti, é que qdo vc força, pode acontecer de causar uma aversão na criança porque às vezes ela quer falar alguma coisa, que só sabe em um idioma, e vc dificulta a comunicação porque exige que ela fale a mesma coisa no outro idioma, só que ela ainda não sabe. Claro que ela vai aprender assim, mas tb vai passar a não falar tudo o que quer pq sabe que não pode falar livremente, que sempre que quiser comentar alguma coisa, vai ser obrigada a "quebrar a cabeça" pra se fazer entender na língua que a mãe (ou o pai) quer. Além disso,de acordo com esse povo, se eu finjo que não a entendo, mas falo com todo mundo ao redor dela em alemão, eu perco a credibilidade pq ela sabe que eu a entendo, só não *quero* entender. Eu concordo com isso, mas tb acho que às vezes é puro comodismo dela e sabendo que há teorias que pregam o contrário, como vc disse, fico mais à vontade pra fazer uma forcinha com a Sofia tb. :) Pq pra ser sincera, eu fico meio triste quando ela fala em alemão comigo. Em julho vamos passar 3 semanas no Brasil. Eu acho que isso vai ajudar bastante!
    Te desejo um bom fim de semana, bem sossegado e tranquilo! :)
    Beijos,
    Ione

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  2. Chris, as mães sofrem mais com a separação do que as crianças, pode acreditar! O que você deve fazer é controlar um pouco mais a sua ansiedade e não deixar passar para ela. O fato dela querer te agredir é porque acredita que você é a culpada por ela estar fazendo o que não gosta. Retroagir agora e deixá-la em casa, é deixar que a Julia manipule o ambiente e você sabe que criança quando quer, consegue! E está fazendo isso com exaustão! Quando for perguntar o que ela fez na escola, inclua os amiguinhos. Algo do tipo: "O que vocês fizeram na escola hoje?" - ela tem que entender o "coletivo" e já, já ela estará integrada ao social escolar! Ah, não pense que com o PH foi muito diferente! Mas passou 15 dias e eu me fazendo de sonsa - não dando pelota para as birras - tudo voltou ao normal! Boa sorte! Beijus,

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  3. Ione, tem que ter paciência, né? E confesso que nem sempre eu tenho. Quanto mais cansada, menos paciência.
    Eu acho que você deve mesmo dar uma forçadinha, senão a Sofia só vai entender o português e não vai falar. Conheço muitos casos assim. Você conhece o blog Filhos Bilíngues (filhosbilingues.blogspot.com)? Dá uma olhada. Tem muita coisa interessante por lá.
    Bjs!
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    Luma, parece que esta questão já está resolvida. Vamos ver... :-))) Bjs!

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