28 novembro 2011

A casa

Quando eu era pequena, ir para a casa dos meus avós era quase um castigo. Eles não tinham televisão e a gente passava o dia inteiro olhando um para a cara do outro, morrendo de tédio. Quando crianças, ainda inventávamos alguma brincadeira. Somos um batalhão de primos.
Na adolescência, já tínhamos alguma voz para dizer que não queríamos ir e aí o número de primos na casa dos meus avós foi diminuindo cada vez mais e cada um foi seguindo o seu destino, mas sempre voltando àquela casa, mesmo que só de vez em quando, e se reencontrando e tendo notícias dos demais e conhecendo os filhos uns dos outros.
Eu, como fui morar primeiro no Rio e depois no exterior, passei a visitar meus avós só uma vez por ano.
No último Natal em que passei em Brasília, lembro de, ao me despedir, olhar para os meus avós sentados no sofá da sala, sentir um aperto no coração e pensar "acho que esta é a última vez que os vejo juntos".
Quando veio a notícia do falecimento do meu avô, lamentei estar longe e pensei que era uma pena ele ter visto tão pouco a Júlia.
Nas poucas vezes em que voltei àquela casa, senti uma sensação de vazio. Quando a gente não tem a chance de dizer adeus, de ver a pessoa sendo enterrada, parece que a pessoa simplesmente desaparece, evapora. No lugar, fica só um vazio. Ainda mais vendo minha vó sem sua metade. Era estranho. Ontem, com a notícia de falecimento da minha avó, mais uma vez lamentei estar longe e ela ter convivido tão pouco com a Ju. Lamentei pelo meu pai, pois sei o que é perder a mãe da gente. E fico pensando que nunca mais voltarei àquela casa... Que não temos mais uma casa para voltar. E que não era simplesmente a casa. Vai ser estranho ver aquela família sem seus alicerces.

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