04 abril 2012

Que dia!

Primeiro, eu queria falar que domingo passado fez um ano que estamos vivendo aqui! Passou rápido, né? Eu estou super feliz, gosto muito daqui. Acho um lugar muito bom para se criar uma criança e acho que aqui a Ju tem e terá mais oportunidades do que teria se estivéssemos vivendo no Brasil.
Mais uma vez: sim! Família faz falta, mas não se pode ter tudo na vida, né? Temos que escolher.

Mudando de assunto: ontem! Que dia!
Vocês com certeza viram nos jornais e sabem que o estrago causado pelos tornados de ontem foi grande.
Estamos bem, graças a Deus, mas foi um tremendo susto.
Quem acompanha o blog sabe que esta foi a minha terceira vez enfrentando este problema, só que das 2 primeiras vezes os tornados não chegaram a se formar e hoje li no jornal que foram 12! Tem mais de 900 casas danificadas e, por muita sorte, somente 7 feridos e ninguém morto.
Eu estava fora, a Ju na escola e o marido no escritório. Saí correndo para casa e vim o caminho todo pensando se eu não deveria pegar a Ju na escola, só que a tempestade chegou fortíssima e decidi que ela estaria mais segura na escola do que na rua, dentro de um carro, correndo pra chegar em casa... o trânsito estava uma loucura, todo mundo correndo, sem respeitar direito sinais, cruzando as ruas sem muita atenção... enfim, estava todo mundo correndo em busca de abrigo. Nossa, no caminho vi um carro parado na estrada, com duas moças dentro... não parei para oferecer ajuda, assim como vários carros que passaram, e até agora estou com a consciência pesada. Só o que me consola é que aqui nesta área não teve estrago nenhum... :-(
Eu já tinha lido há um tempo atrás o que a escola recomenda em casos de emergência e eles dizem que se as autoridades dizem para procurar abrigo, procure abrigo e não vá até a escola, mas confesso que ontem esqueci tudo e não lembrava de nada mesmo. O plano deles é procurar abrigo em 2 prédios maiores que ficam ao lado da escola, um hospital e um banco. Quando cheguei em casa, entrei no site da escola, reli tudo e fiquei mais ou menos tranquila...
O marido estava no escritório e lá eles mandaram todo mundo descer para o estacionamento subterrâneo.
Um tornado vinha em nossa direção e as sirenes começaram a tocar. Me tranquei no banheiro, dentro da banheira e coberta com travesseiros.
Não sei quanto tempo fiquei lá... não foi muito. As sirenes pararam de tocar e marido ligou dizendo que já tinha passado e que ele ia esperar as coisas melhorarem, buscar a Ju na escola e vir para casa. Corri pra guardar o carro na vaga coberta porque na correria deixei aqui em frente ao prédio. Por sorte nem as pedras de gelo caíram aqui onde moro, só muita chuva e vento.
Marido chegou da escola e disse que as crianças tinham ficado na escola mesmo, nos corredores, onde não tem janelas. Confesso que na hora fiquei muito preocupada e decepcionada. A escola é pequena e não acho as instalações da escola seguras e, olhando de fora, leiga como sou, eu diria que se um tornado passasse por ali, arrancaria tudo. Marido me disse que eles sabem o que fazem e que eles têm um plano de segurança e que este plano é aprovado pelos bombeiros e que o prédio da escola é construído de forma diferente, que não se constrói uma escola sem se pensar neste tipo de coisa. Espero que sim, mas eu preferiria que eles tivessem buscado abrigo nos dois prédios conforme está escrito no safety plan... Se acontecer de novo, é capaz de eu ir pra escola, pegar a Ju e correr pro hospital ao lado e me abrigar no estacionamento subterrâneo. Aliás, teria sido melhor ir pra lá do que ter vindo aqui pra casa me trancar no banheiro. Só pensei nisso agora, mas pelo menos agora, tenho um plano. :-)))
Outra coisa que tenho que fazer, que a @danibelgium me falou no twitter é preparar um kit de emergências e estocar água e alimentos não perecíveis. Nunca se sabe, né? Melhor precaver.
E eu estava vendo a tv que mostrava o tornado que atingiu Forney ao vivo e quando ele tocou o chão o Tornado Chaser gritou "Oh God! It just hitted the Forney High School. Oh no! God!" e eu fiquei tão desesperada que comecei a chorar. Alguns segundos depois ele grita  "It missed the school! They are ok but I can see lots of houses being damaged". Gente! Se eu tivesse perto deste cara naquela hora, tinha matado ele. Ele não pode dizer uma coisa destas na tv sem ter certeza. Se eu fiquei louca, imagina os pais destas crianças/adolescentes?!
Enfim... passou. Mas agora é temporada de tornados, né? Vamos torcer para que não venham mais...

Vocês podem ver o relato de um homem que trabalha na mesma empresa que meu marido aqui no G1.

Agora, voltando ao que escrevi lá no começo do post. Muita gente vai pensar: mas porque você não volta pro Brasil, vai ficar aí convivendo com tornados? Minha resposta: o dia de ontem não mudou em nada a minha opinião. Não existe lugar perfeito, cada lugar tem seus problemas. Eu ainda acho melhor conviver com a possibilidade de ter tornados de vez em quando do que com o medo de ser assaltada todos os dias e a incerteza de que voltaremos bem para casa no final do dia. Era assim que eu vivia quando morava no Rio. Sei que as coisas estão melhores lá (e piores em Niterói), mas não confio de que isto seja definitivo. E as outras cidades do nosso querido Brasil também sofrem com estes problemas de violência. Vejam bem, amo o Brasil. É onde nasci e onde minha família está, mas para mim é um lugar que quero visitar muitas vezes, não morar... É claro que não sabemos do nosso futuro e se um dia for preciso, o faremos, mas não sem um pouco de tristeza. :-(

Ps.: Agradeço a todos que oraram/rezaram/torceram por nós. Um antigo colega de trabalho me chamou no chat do facebook e tentou me acalmar. Tem pessoas que a gente nunca vai esquecer, mesmo que não volte a ver pessoalmente mais, né? Ele é uma destas pessoas.
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4 comentários:

  1. Cris o fato de vc querer viver aí só causa espanto quando a pessoa pensa diferente de vc. Eu sou muito família, irmãos, etc... Vivi fora do Brasil logo que casei e gostei da experiência, mas sonhava que vinha toda hora ao Brasil. Pena que esta região seja de tornados. Quem sabe um dia vc encontra uma cidade melhor? Vamos sempre torcer para que tudo fique longe de vcs e que corra tudo bem por aí.

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    1. Quem nunca morou fora talvez tenha dificuldade mesmo de entender, né? Olha Nice, eu estou bem satisfeita aqui, não acho que precise nada melhor não, mas a gente não sabe o que o futuro nos reserva, né? Bjs!

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  2. Eu realmente não curto muito o exterior! Acho que não existe país melhor que o Brasil em termos de problemas com a natureza, claro que temos enchentes, mas acredito que seja mais pela falta de educação do povo em termos de sujeira, mas se enfrentar terremotos entre outras coisas é vida, não sei querida, não vou julgar, não moro aí, mas realmente não troco também minha família e meu Brasil por nada, a não ser que seja por algo e olhe lá. Tudo é gosto, claro, cada um na sua. Mas, vc disse tudo, não sabemos o que o futuro nos reserva, devido a isso não generalizo, mas, só o medo que se passa aí, pensa duas vezes com relação aos problemas com a natureza, por outro ponto de vista, a lei aí funciona e isso não tem preço, tenho que tirar o chapéu! Tudo tem seus prós e contras na vida. Beijosss...

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    1. No meu caso, é só uma ou outra vez... não é que tem tornado toda hora. E é claro que não estamos aqui há toa... e sim porque consideramos que aqui temos mais oportunidades. A família faz falta sim, mas não podemos ter tudo na vida, né? Bjs!

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