16 setembro 2010

O modo de educar finlandês e o modo de educar brasileiro

Antes de vir morar aqui, li algumas reportagens sobre a Finlândia ser o país que lidera as estatísticas nos números de suicídios. Estas reportagens discutiam quais seriam os motivos para isso, já que aqui a população tem segurança e sistemas de saúde e educação modelos para vários países.
Falavam que o inverno longo e a escuridão estavam entre as causas destes suicídios, além da solidão gerada por isto e pelo relacionamento ruim entre pais e filhos, já que o maior número dos casos de suicídios está entre os jovens.
Quando li isso, pensei: Que besteira! Se matar por causa de frio e escuridão!?
Agora, já tendo passado por 2 outonos (um ainda está acontecendo), 2 invernos e na espera do terceiro (e último! :-) ), digo que o inverno e a escuridão são sim muito difíceis, principalmente para quem vem de terras quentes e ensolaradas; que eles provocam na gente um efeito estranho, de cansaço, de desânimo e até de solidão e talvez um pouco de depressão, mas continuo dizendo que isso não é motivo para querer morrer. Ainda mais se pensarmos que os finlandeses nascem aqui e estão acostumados com isso. Esta teoria para mim não tem cabimento. Já o relacionamento ruim entre pais e filhos, esse sim, eu acho que é o grande vilão. Aliás, este tema outro dia rendeu uma boa discussão no Twitter com a @teeasi, que é finlandesa. :-)
Por que este relacionamento é ruim? É ruim mesmo? Ou só diferente do que o que nós, brasileiros, conhecemos? A @teeasi acha que os pais são mais severos e que deixam os filhos mais “largados” porque querem que eles se tornem independentes e que consigam realizar suas conquistas e seguir suas vidas sozinhos. Eu concordo! Certamente não é por maldade ou porque eles não gostem dos filhos. Eles são pais e pais, na sua maioria, querem o melhor para os filhos. Aqui os jovens saem muito cedo de casa, para viver no seu cantinho, têm seu emprego e se sustentam.
Já no Brasil, acontece cada vez mais totalmente o oposto. Os filhos saem cada vez mais tarde de casa e, vemos muitos casos assim, ficam dependendo dos pais até bem velhos ou para sempre. Por que? Super proteção? Acho que sim.
Nenhum dos dois métodos está bom, na minha opinião. É possível usar um meio-termo, aprendendo com as duas culturas. É isso o que vou tentar fazer.
Sei que é difícil. Cada vez que a Ju me pede alguma coisa, tenho vontade de comprar correndo, já que podemos comprar. Mas o que faço, para o bem dela, é explicar que agora não, que ela já ganhou algo e que tem que esperar para ganhar outra coisa… ou então, digo que não tenho dinheiro e que a gente vai comprar só no mês que vem e a faço esperar. Se é caro demais, digo logo que não podemos comprar e pronto. Acho que assim estou ensinando a ela que não se pode ter tudo e que muitas vezes temos que esperar para juntar o dinheiro. Acho que ela não entende tudo ainda, mas entende que tem que esperar e espera. E quando ganha o brinquedo, fica tão feliz! Parece que tem outro sabor assim, depois de tanto tempo esperando. :-)))
Acho que é possível tornar os filhos independentes e responsáveis, sem deixar de dar muito carinho, de conversar muito com eles, orientar e ouvir também. É preciso ter muito cuidado porque a linha que separa isso da super proteção me parece muito frágil, mas que é possível, é sim.

2 comentários:

  1. Ah, acho que é bem difícil encontrar este meio termo, mas é necessário mesmo. Não como vou reagir quando a Gi começar a pedir as coisas, hoje já fico querendo comprar tudo pra ela! rs

    ResponderExcluir
  2. Hehehe! Você tem que tomar cuidado mesmo! :-))) Bjs!

    ResponderExcluir